Os Druídas









Os Romanos foram os maiores perseguidores e biógrafos dos druídas. Foi durante a invasão cristã às ilhas britânicas que os latinos tiveram seu primeiro contato com os Celtas e seus profetas, os druídas.
Os Romanos descreveram estes sábios antigos como filósofos e teólogos de nível superior, que acreditavam na reencarnação das almas, curavam doentes e faziam adivinhações sobre o futuro.
Há ainda, relatos romanos que afirmam que os druídas eram conselheiros dos reis e responsáveis pela guarda e obediência das normas sociais tradicionais, ou seja, eram zeladores da ética e moral.
Estes homens eram vistos como veneráveis e costumavam expor suas doutrinas apenas de forma oral e por meio de enigmas, exortando os homens a reverenciarem os deuses, a absterem-se totalmente de más ações e a serem corajosos.
Os druídas tornaram-se famosos entre os romanos especialmente por sua capacidade de realizar previsões do futuro, através de runas, mas seus rituais mágicos não eram bem vistos entre os romanos, já que eram considerados práticas bárbaras de feitiçaria.
A casta de druídas era bem organizada, segundo os registros antigos, e seus líderes (que recebiam o nome de Druída Mor) eram escolhidos através de uma votação anual, realizada na floresta dos Carnutos. Havia várias funções dentro da casta druídica, quais sejam: a função sacerdotal, de Druída Mor (presidente), de presidente dos ritos, de mestre da juventude (professor), de juiz, de poeta e de músico.
Em todas as civilizações onde existiram druídas estes eram dispensados do serviço militar por razões religiosas, embora muitos fossem para o campo de batalha para estimular os guerreiros a lutarem.
Mesmo sendo os druídas muito interessados em astronomia e natureza, seus conhecimentos eram transmitidos oralmente, sem qualquer registro escrito. Isto fez com que muito dessa rica cultura se perdesse no tempo, ainda que os romanos tenham registrado muitas informações, como, por exemplo,  o ritual do corte do visco no carvalho, onde o druída vestia-se de branco e fazia uma cerimônia mágica para obter o visco e atrair os grandes poderes do carvalho para si.
Também há registros romanos sobre a prática de magia através do uso de ervas, como o selago e o samolo, e dos temidos e  misteriosos ovos de serpente.
Como muitos rituais envolviam sacrifícios de animais e humanos, os druídas eram vistos pelos romanos como selvagens e desumanos!
Graças a essas práticas, logo que o cristianismo chegou à Inglaterra, Escócia e irlanda, os druídas passaram a ser repudiados e sua magia fora associada ao diabo e considerada odiosa. Aos poucos, os druídas foram sendo vistos cada vez mais como uma classe religiosa dedicada a superstições e feitiçarias.
Quanto a sua organização entre os Celtas, estavam divididos em três classes, que eram especialmente veneradas: bardos (bardoi, que eram os poetas), adivinhos (uáteis, vates) e druidas (druidai, que eram os sacerdotes).
Podemos assim desenhar a estrutura básica da organização dos druidas como uma classe coesa, liderada por um druida principal e com regras para a sua eleição. Isto indica que os druidas mantinham entre si um estreito relacionamento, que havia algum tipo de norma de comportamento e de continuidade da doutrina que os unia, que esse relacionamento se fortalecia na reunião anual na floresta dos Carnutos, onde realizavam um conclave (reunião privada e exclusiva).
Acerca da vida privada dos druidas parece não haver dúvidas que eles podiam casar, ter propriedades e manter atividades políticas.
Os druídas tinham forte representação na sociedade, podendo ser sacerdotes, teólogos, fisiólogos, cosmólogos, poetas, adivinhos, políticos e pedagogos. Eram encarregados de presidir os sacrifícios e
os rituais, portanto, eram detentores dos conhecimentos acerca do simbolismo litúrgico e cabia a eles manter viva a mitologia de seu povo.