O Halloween não significa nada para as bruxas





Muitas pessoas confundem o Dia das Bruxas, ou Halloween, com o Samhain. Embora, a princípio, esta data celebre a existência das bruxas, ela é apenas de cunho comercial e transforma a imagem da bruxa em um personagem cômico ou de terror.

As raízes do Samhain, contudo, estão mergulhadas em eras remotas da civilização europeia, que celebravam, através de festivais, a colheita do ano. Há registros desta celebração cultural em vários povos, desde os antigos romanos até os celtas.

Os povos pagãos, através do Samhain, cultuavam seus deuses para agradecer a colheita obtida durante o verão, além de relembrar o início do inverno, que simbolicamente também poderia ser visto como a morte. Para as bruxas contemporâneas esta data marca o princípio do fim, o caminho para o terceiro estágio da existência, que é a morte.

As bruxas acreditam no renascimento, na continuidade da existência humana após a morte, essa ideia de reencarnação não é a mesma das doutrinas cristãs, islâmicas, judaicas ou hindus. Para as bruxas, o corpo abriga uma energia poderosa, cheia de conhecimento acumulado das várias vidas que teve. Essa energia, no ato da morte, abandona o velho corpo que se deteriorou e migra através do cosmos, voltando a reencarnar para continuar sua existência em uma nova vida. É uma concepção de vida cíclica, com os simples atos de nascer, viver, morrer, nascer novamente e assim por diante.

Isso em nada corresponde ao Halloween, ou dia das bruxas, que é um feriado celebrado de várias maneiras diferentes, dependendo do país onde a festa se realiza. Nos Estados Unidos, por exemplo, o dia das bruxas se ramificou em três tipos de celebrações: a festa infantil tradicional, festa adulta-erótica e festa de terror.

A festa infantil tradicional é conhecida por todos: durante a noite de 31 de outubro crianças usam fantasias de bruxas, vampiros, fantasma, ou qualquer outro personagem de terror e andam pelas casas de sua vizinhança, batendo nas portas das residências e pedindo doces. Caso a pessoa que atenda a porta não dê nada sofrerá com alguma travessura infantil, geralmente será bombardeada por balões de água ou farinha.

A segunda forma de celebrar o dia das bruxas, nos EUA, é nas festas adultas, onde pessoas solteiras ou casais se encontram para fazer sexo. Todas usam fantasias eróticas de personagens de terror, como bruxas, vampiros, zumbis, etc.

Por fim, a terceira forma de celebrar a noite do Halloween tem causado preocupação nas autoridades americanas. Pessoas, geralmente jovens entre 20 e 30 anos, usam fantasias e máscaras para ficarem irreconhecíveis e saem pela cidade cometendo crimes. Os atos de vandalismo vão desde correr atrás das pessoas com machados e cerras elétricas nas mãos, até atacar vítimas para estuprar ou roubar.

É evidente que o Halloween não corresponde, em absolutamente nada, ao Sabbat celebrado pelas bruxas verdadeiras. Para os novos pagãos, esta festa comercial não significa nada!

Embora as celebrações pagãs tenham sofrido alterações ao longos dos anos, especialmente com o início da cristianização de toda a Europa, há ainda uma certa preservação das tradições legítimas, por parte das novas bruxas.

Ao contrário do feriado do Halloween, o Samhain celebrado pelas bruxas valoriza ornamentações artesanais, feitiços e ceias feitos com produtos naturais, além da troca de presentes manufaturados ao invés de comprados em loja. A bruxaria é uma vivência pautada na simplicidade, no contato com a natureza, na liberdade e prática da magia, não é uma religião de ostentação e consumismo.

Já no caso do Halloween, semanas antes do feriado, as lojas se preparam abastecendo-se de inúmeras mercadorias variadas. Desde roupas, máscaras, comidas, itens de festa, dentre tantas outras coisas. É uma festa para o aumentar o consumo e proporcionar diversão, não tem nenhum vínculo com a bruxaria verdadeira!