O que é um druída?








Nas tribos do antigo povo Celta, que habitavam a Irlanda, Escócia e Inglaterra, havia homens que eram, ao mesmo tempo, sacerdotes, filósofos, poetas, legisladores, conselheiros, historiadores, médicos, juízes, professores, profetas, magos e guardiões das tradições orais de suas tribos. Estes homens eram chamados de druídas.

Os Druídas existiram apenas na sociedade céltica e o druidismo era a religião desta antiga civilização. Embora cada tribo Celta tivesse uma liderança política, uma espécie de rei, as tradições e costumes religiosos eram similares em todas as tribos, além da existência de uma proximidade entre as línguas faladas, tudo isso graças aos druídas, que mantinham essa cultura comum entre todas as tribos.

A etimologia da palavra Druida (Druid), tem sua raiz em línguas antigas, mais precisamente no galês, no bretão e no córnico. O significado da palavra é "aquele que tem o conhecimento do carvalho", o que se confirma nas línguas goidélicas (gaélico irlandês, gaélico escocês e manês), onde a palavra "druid" significa "aquele que tem a sabedoria do carvalho" ou "homem sábio".

Plínio, um historiador romano que viveu entre 23 d.C a 79 d.C., confirma em seus relatos que a palavra druída significa "sabedoria do carvalho". Nas palavras originais das escrituras do antigo historiador:


"Um druida vestido de branco subia numa árvore de carvalho e fazia o corte do visco, com uma foice de ouro".

Estes homens eram vistos como veneráveis, costumavam expor suas doutrinas apenas de forma oral e por meio de enigmas, exortando os homens a reverenciarem os deuses, a absterem-se totalmente de más ações e a serem corajosos.

Os druídas tornaram-se famosos entre os romanos especialmente por sua capacidade de realizar previsões do futuro, através de runas, mas seus rituais mágicos não eram bem vistos entre os romanos, já que eram considerados práticas bárbaras de feitiçaria.

Há ainda relatos que esses antigos homens sábios dividiam-se na sociedade de acordo com as suas funções, ou ofícios sacerdotais. Estas funções eram as de Bardos, Ovates e Druídas.

Diodoro Sículo, um historiados grego que viveu no século I a.C, fez a seguinte afirmação em seus manuscritos:

"Entre os povos da Gália, em geral, existem três tipos de homens, conhecidos por sua honra excepcional: Bardos, Ovates e Druidas. Os Bardos são músicos e poetas, os Ovates, adivinhos e filósofos naturais, enquanto os Druidas, além da filosofia, estudam também a moral."

Os Bardos, conhecidos como Filid (plural de Fili) na Irlanda, possuíam habilidades poéticas, artísticas e acadêmicas. Cabia a eles transmitir os ensinamentos druídicos através de histórias e lendas, recitados em poemas ou cantados em músicas. Esses sacerdotes eram considerados os guardiões da tradição oral.

Os Ovates, ou Vates, possuíam habilidades intuitivas e mágicas, o que lhes dava a capacidade de realizar curas, cálculos astrológicos e adivinhações. Eram considerados profetas, xamãs e videntes. Em seus trabalhos os Ovates entravam em transe e recebiam mensagens do outro mundo, prevendo o destino da tribo. Eram os conhecedores do passado, presente e futuro.

Os Druidas possuíam a função sacerdotal, além de serem conselheiros e filósofos. Cabia a eles a celebração das cerimônias religiosas, a execução de rituais de qualquer natureza e a leitura de julgamentos proferidos pela tribo. Os Druidas eram considerados grandes intelectuais, detentores de um vasto conhecimento sobre a terra e os astros. Seus conhecimentos iam desde as propriedades curativas das ervas à comunicação com os Deuses, por isso, eram sempre consultados pelos reis e chefes das tribos celtas.

Ainda de acordo com documentos romanos antigos, qualquer pessoa comum do povo podia se tornar um druída, desde que se dedicasse ao estudo do sacerdócio. Estes homens podiam se casar e constituir família também, além de exercerem qualquer profissão honesta que lhes prouvesse os sustento.

A casta de druídas era bem organizada, segundo os registros antigos e seus líderes, que recebiam o nome de Druída Mor, eram escolhidos através de uma votação anual, realizada na floresta dos Carnutos. Havia várias funções dentro da casta druídica, quais sejam: a função sacerdotal, de Druída Mor (presidente), de presidente dos ritos, de mestre da juventude (professor), de juiz, de poeta e de músico.

Em todas as civilizações onde existiram druídas estes eram dispensados do serviço militar, por razões religiosas, embora muitos fossem para o campo de batalha para estimular os guerreiros a lutarem.

Também há registros romanos sobre a prática de magia através do uso de ervas, como o selago e o samolo, e dos temidos e  misteriosos ovos de serpente. Como muitos rituais envolviam sacrifícios de animais e humanos, os druídas eram vistos pelos romanos como selvagens e desumanos!

Os Druidas ensinavam sobre a metempsicose, termo que descreve a transmigração da alma, de um corpo para outro, com a possibilidade da alma humana habitar outros corpos animais ou vegetais. Entre seus ensinamentos há relatos sobre a doutrina pitagórica de a alma renascer em outro corpo depois da morte. Na Gália (atual França), Grã-Bretanha e Irlanda os druídas transmitiam seus ensinamentos aos aprendizes somente de forma oral ou através do Ogham (uma espécie de escrita mágica) e esses ensinamentos podiam se estender por até vinte anos, tempo máximo de treinamento.

Considerados mestres da magia, os druídas faziam encantamentos capazes de provocar um sono mágico nos inimigos, possivelmente hipnótico, além de possuírem a habilidade de produzir brumas misteriosas para mudar de aparência ou se esconder, uma arte conhecida como "féth fiada". Eles também podiam impor a uma pessoa um "Geis", uma espécie de proibição ou tabu, uma maldição ou um feitiço que, ao ser quebrado, acarretava terríveis conseqüências ao transgressor.

Graças a essas práticas, logo que o cristianismo chegou à Inglaterra, Escócia e irlanda, os druídas passaram a ser repudiados e sua magia fora associada ao diabo e considerada odiosa. Aos poucos, os druídas foram sendo vistos cada vez mais como uma classe religiosa dedicada a superstições e feitiçarias.


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